O jogo em que avançamos ou recuamos casas - civilização - estadao.com.br

Admin em Imoveis, 28/07/2011 - 19:40:40,

O jogo em que avançamos ou recuamos casas - civilização - Estadao.com.br Ignácio de Loyola Brandão - O província de S.Paulo VOTUPORANGA O comprido comboio de fardo da ALL estava suspenso no pátio da estação.

Eu, na plataforma, raciocinava como ir para o lado de lá. A única perspectiva era cruzar por pequeno do trem, entre os truques. As imensas locomotivas imóveis, de tempos em tempos, soltavam um silvo agudo de ar comprimido, atemorizante. Não tinha jeito, precisava atravessar, portanto, eu me abaixei, rastejei por cima dos trilhos, dos dormentes e das pedras, não vi uma tronco de ferro, bati a cabeça, fiquei zonzo, continuei.

Se o comboio partisse naquele momento, eu teria sido esmagado. No lado de lá, encontrei a residência de meu tio José e mergulhei naqueles anos entre 1957 e 1960, quando passava as férias ali, levando de São Paulo livros e revistas, que não chegavam ao interior, e discos com os sucessos mais recentes europeus e americanos, como o chá-chá-chá, o twist, o hully-gully e o let kiss. Quem se lembra? Ensinava tios, primos e amigos a jogar cavidade (truco já se jogava), comia alimento caseira, frangos criados no quintal, leitoas trazidas de sítios, queijo produzido por alguma vizinha. Não existia supermercado, tudo era procurado na venda, na quitanda, nas hortas.

As tardes escorriam lentas, curtíamos os lanches com manteiga caseira, pães doces, café produzido no local, leite tirado da vaca, bolachas. A residência do patrão era separada das outras, rodeada por árvores, ainda que todas fossem de primeira categoria, tanto que todas estão de pé e em boas condições até hoje. Trens passavam, rompendo o silêncio absoluto. Na estação, olhávamos as pessoas, sentíamos o fragrância das comidas do carro restaurante, da bosta de gado das gaiolas, ou dos sacos de café que demandavam a Santos.

O Noturno excitava, nós, os homens, percorríamos a plataforma unido aos vagões-leitos, tentando ver se havia uma janela fenda e alguma mulher nua se trocando. jamais havia. Em Votuporanga houve tardes de jogos entre a Ferroviária e a Votuporanguense; as fosca pelame prolongamento da via férrea até Presidente Vargas, que hoje desapareceu engolida pelas águas de uma hidrelétrica; a afeição com o jornalista Nelson Camargo (principiador do Diário de Votuporanga) e sua filha, a bela Cláudia, extrovertida, inteligente. Tinha tudo para ser grande, não fosse o desastre de carro que a levou nos anos 80.

Tanto era estimada que, hoje, a sala de imprensa da Câmara Municipal tem o nome dela e lá está seu retrato, vigiando os vereadores com aquele risada que desarmava. Não havia televisão, apenas rádio. Uma noite ou outra, a pé, se perdíamos a jardineira, partíamos para a cidade, que era longe, e pegávamos a sessão no Cine Votuporanga, hoje desativado, mas há um plano para reativá-lo. A vida corria lenta, Votuporanga era fim de mundo, mas um pequeno paraíso.

Criança, meus nação me levavam, às vezes, a Simonsen, vila diminuta. O comboio não parava ali, éramos obrigados a baixar na estação seguinte, Votuporanga, e regressar de jardineira. existir em Simonsen era uma festa, meus tios Benedito e Quita tinham mácanto de ajudar arroz. Esporte radical era a montanha de palha de arroz, sequinha amarelada, na qual nos atirávamos, imaginando que fosse neve.

Votuporanga então tinha ruas de terra batida e muita poeira. Parte de minha infância foi vivida em cidades pioneiras, recém-fundadas, encravadas em sertão bruto. Outra ligação com a cidade foi Geraldo Alves Machado, professor que imediatamente dá nome à biblioteca municipal da cidade. Se alguém desabrochar meu romance Não Verás País Nenhum verá a dedicatória: "A Geraldo que não chegou a ver dedicatória deste livro".

Uma semana anteriormente do livro sair, Geraldo morreu. Foi professor de português e de desenho, homem criativo, alegre, amado pelos alunos. Foi dessas pessoas raras que gostam de cada estudante e olham incluso deles, buscando qualidades. Geraldo fez teatro, seu conjunto se apresentou em São Paulo e ganhou prêmios.

Naqueles anos 60, as pessoas perguntavam: "Votuporanga? Onde é?" De subitamente recebiam o choque de um conjunto espetaculoso original. Há pessoas que são determinanteriormente na vida e Geraldo foi na minha. semelhante meu, lia, lia, lia, sabia como ninguém a história da arte, e insistia: "Vai embora, teu local é São Paulo, vai embora!" Vim a Votuporanga há 15 dias, para desabrochar o primeiro Fliv, Festival Literário de Votuporanga, maravilha, uma festejo de livros a mais, bem-vinda seja, tenha vida longa. O festival nasceu da determinação do prefeito Junior Marão e da secretária de Educação, civilização e Turismo Eliana Baltazar Godoi.

Semana compacta, com frota de Livros, Espaço associação dos Autores (que estruturou o projeto, misturando bem os escritores), bandas, saraus e shows, plano Ecotudo - meio meio hoje é fundamental. pelame palanque do Salão da Paróquia de Santa Luzia (até o vigário entrou, apoiou) passaram, entre outros, Lourenço Mutarelli, Fabrício Carpinejar e Katia Canton. Almir Sater fechou a semana no dia 1.º de maio com um show que atraiu trabalhadores de toda a região. No ano que vem, o segundo Fliv será numa arcabouço construída no meio de um lago.

Com muitos livros. Sim, indo lá, licença pelame Filó e deguste a suavidade da costela servida na própria panela onde é ato em fogo de lenha. Como pode uma cidade causar um turbilhão de sensações? Fiquei nela apenas 24 horas e fui envolto por pessoas, lembranças, fatos que mexeram comigo. escalar ao palanque da residência Paroquial Santa Luzia, para desabrochar o Fliv, significou mais do que um singelo sucedido literário.

Envolveu vida, sentimentos, lembranças, demonstração de que as coisas vão e voltam, há caminhos que parecem acabados e são reencontrados de novo. Como nesses jogos em que você avança casas, recua casas, fica parado, pula obstáculos, ganha e perde. PS: Indignado, penso: Como concordar a indiferença e indiferença com que o senhor João Sayad demitiu o maestro Júlio Medaglia da Cultura? Sem razão, sem argumentos. Demitiu em um minuto.

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